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COMER É UM ATO SENSUAL!

Comer para mim é um ato sensual! Por favor, sem duplo sentido com o verbo. Estou falando do amor à comida, ao ato de comer. E aqui peço desculpas aos que pensam diferente de mim. Aqueles para quem o ato de comer é apenas um ato orgânico, apenas um combustível para o corpo sobreviver, apenas uma sopa de proteínas, carboidratos e calorias. Eu respeito, mas quero fazer aqui uma ode à comida e ao prazer de comer. Quero aqui externar o meu prazer em comer, em sentar em uma mesa e degustar uma comida que eu gosto, em fazer acompanhar esta comida de coisas que valem a pena, como um bom vinho e uma boa companhia. Comer bem não combina com pressa. A comida tem que ser degustada, sentida. É preciso que haja tesão! É preciso que haja prazer! É preciso que haja amor! A comida é tão importante que o condenado, na véspera de sua sentença de morte, tem direito a pedir seu prato preferido!

E qual meu prato preferido? Não sei ao certo. Tenho alguns. Vamos conversando e pode ser que antes do final desta crônica eu chegue a alguma conclusão. A priori, eu gosto de comer. E isso inclui desde os lanches rápidos, regados a coca cola e katchup, aos jantares elaborados, onde escolho com cuidado o vinho que vou abrir. Já falei em outra crônica sobre lanches, sobre os lanches que nunca saíram da minha memória, como a bomba da dona Zezé, o pão de queijo do Seu Cornélio, o cachorro quente da Lobrás e a coxinha do seu Nagami, que era, na minha humilde opinião, a melhor de Teresina. A comida, assim como a fotografia, nos transporta através do tempo. Através da comida, lembramos momentos do passado. Nunca esqueci o filé à parmegiana que vendia na AABB, na década de 80, e que eu dividia com minha esposa, na época namorada. Eu era estudante e não tinha muita grana. E o filé à parmegiana lá era barato, e enorme, e vinha com muito queijo, e ainda socavam macarrão! Uma delícia. E panelada! Adoro panelada, e já percorri Teresina toda em busca da panelada perfeita. Sempre que alguém me fala de uma panelada boa, eu vou conferir. Já comi paneladas fantásticas, em lugares que nem existem mais (também já as comi em lugares sórdidos e infectos).

Quando viajamos, eu e minha esposa, a comida é um ingrediente importante no planejamento. Sempre pesquisamos comidas típicas e bons restaurantes. E sempre separamos um dia na viagem para “aloprar”. É o dia do Rei, como minha esposa chama. No caso, o rei sou eu. Porque nesse dia eu não me importo com gastos. Nesse dia quero apenas sentir o prazer de uma noite onde meus sentidos serão aguçados. Essa noite do rei também acontece quando viajo com meus amigos. E aqui, quando falo em conhecer comidas de outras culturas, quero fazer um parêntese para falar de nosso colega Francisco e de quando eu comi cavalo. O Francisco também é um aficionado por comida, e para onde quer que viaje procura provar algo diferente e único. Pois estávamos rodando (eu, ele e nossas esposas) pelo interior da Sicília em um carro alugado quando chegamos a uma cidade medieval, no alto de uma montanha. Era uma cidade bem pequena e estava fazendo muito frio. Procuramos um lugar para comer e demos com uma taverna que ficava incrustada em um tipo de caverna. Tudo lá remetia a idade média. As paredes eram de pedra, a iluminação era precária e o frio impregnava as mesas de pedra. Sentamos lá, pedimos um vinho para aquecer e o Francisco pegou o cardápio. De repente, seu olhar se iluminou e ele decretou: “Vou pedir um cavalo”! Eu disse para ele que devia ser tipo um bife à cavalo ou algo assim. Ele chamou o dono do bar, que relinchou na nossa mesa, para dizer que era cavalo mesmo. E foi aí que provei cavalo (eu preferi pedir um cordeiro, mas fiz questão de filar o prato do Francisco)! Antes que me perguntem, não vi muita vantagem. É como uma vaca magra e meio musculosa. Ah, os italianos levam muito a sério esse negócio de comer! Nesse mesmo lugar, tentamos pular a entrada. O dono da taverna se indignou e, enquanto tomávamos a segunda taça de nosso vinho, ele chegou com uma tábua enorme com pães caseiros, vários tipos de queijo, salames e outras coisas que eu não conhecia. Olhou pra gente bem sério e falou: POR CONTA DA CASA! E se retirou.

Talvez por gostar tanto de comida, fiquei meio triste quando minha filha, que mora em São Paulo (uma meca gastronômica que eu adoro) há muito tempo, veio me dizer que não comia mais carne. Eu fiquei revoltado na época, mas hoje, quando vou visitá-la, aprendi a curtir bastante os pratos que ela prepara pra gente. Descobri, por exemplo, que um suflé de cogumelos envolto em queijo curado da Serra da Mantiqueira harmoniza maravilhosamente com um bom Cabernet Franc!

Então era isso! Queria só externar meu amor pelo ato de comer. E vou ficando por aqui, porque já está me dando fome, não sem antes dizer que aceito convites para jantar!

P.S Ah, meus pratos preferidos…é difícil dizer porque eu gosto de muita coisa, mas vou tentar fazer um top five: rabada (incluo aqui no gênero a mão de vaca e o cozidão), panelada, língua ao vinho branco, lasanha e batidinho de carne com quiabo, maxixe e o que mais couber…

Por: Sérgio Idelano

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