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9º Conacon: O sol brilhou em Curitiba!

Em uma semana ensolarada na cidade de Curitiba, mais de 700 auditores de controle externo de todos os 33 Tribunais de Contas do Brasil se reuniram para o 9º Congresso Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil. Sim, a capital brasileira em que o sol menos aparece teve seus dias de luz de 18 a 21 de agosto. E Curitiba definitivamente iluminou os participantes do maior Congresso do Sistema de Controle Externo.

Antes mesmo de sua abertura, o workshop realizado na OAB-PR sobre “produção probatória e decisões dos tribunais de contas”, que contou com advogados, professores além dos auditores, foi o prelúdio do alto nível que o Congresso Nacional iria apresentar. Lançou-se luz para o fato de que a realização da instrução processual por profissionais competentes para tal, os auditores de controle externo, é condição para a própria credibilidade das decisões dos Tribunais de Contas.

Discutiu-se ainda a necessidade da uniformização dos procedimentos no âmbito de todos os Tribunais de Contas com a elaboração e aprovação do Código de Processo de Controle Externo, que não simplesmente reproduza institutos do processo civil, mas que considere as peculiaridades do sistema de controle.

Logo à noitinha, a abertura do evento realizada na Ópera do Arame deu a tônica do que estaria por vir. O teatro, que é patrimônio arquitetônico brasileiro, chama atenção por sua beleza integrada ao meio ambiente e por sua transparência, o que tem tudo a ver com o controle externo. Em seu discurso de boas-vindas, nossa Presidente da ANTC, Thaisse Craveiro, fez menção ao filme Alice no País das Maravilhas, inspirado na obra de Lewis Carroll, e distinguiu direção de sentido, alertando que nós, auditores, além de saber aonde queremos chegar para escolher o caminho, não devemos perder nossa muiteza.

A verdade é que nos dias seguintes esse caminho foi sendo revelado a cada oficina específica sobre as mais variadas áreas de atuação dos auditores de controle externo e em painéis que trouxeram riquíssimas discussões, com temas atuais, relevantes e diretamente relacionados aos interesses e aos desafios enfrentados por nós.

O tema do 9º Conacon foi “Auditoria de Controle Externo que transforma: impacto social e simetria constitucional” e seu primeiro painel tratou sobre a simetria constitucional aplicada aos Tribunais de Contas. Simetria que não pode ser oportunista nem seletiva, alertou nosso colega Dr. Ismar Viana. O estabelecimento de um padrão nacional para os órgãos de auditoria dos 33 Tribunais de Contas mais do que o cumprimento da norma constitucional é condição para a própria essencialidade dos Tribunais de Contas. Afinal, Tribunais de Contas confiáveis são construídos com excelência técnica, independência e integridade na realização, por auditores de controle externo concursados, de suas fiscalizações e instruções processuais, que acabarão por refletir em melhores decisões e na geração de valor público, com impacto efetivo na vida das pessoas.

O Congresso lançou luz a temas atuais e às perspectivas para o controle externo. A reforma tributária, a aferição do erro grosseiro na responsabilização de agentes públicos, a avaliação de políticas públicas e o uso de inteligência artificial aplicada ao controle externo foram objeto de oficinas e debates. Além disso, temas mais antigos, mas não menos contemporâneo, como o da prevenção e combate à corrupção, também tiveram seu espaço.

Como não poderia deixar de ser, teve também muito curso e debate sobre Auditoria. Percorremos literalmente o ciclo completo na Maratona de Auditoria: desde seus fundamentos até a comunicação dos resultados e o monitoramento do impacto.

Sabemos o quanto distante pode ser a situação encontrada do critério. O quão complexa é a realidade da sociedade brasileira e o tamanho dos desafios enfrentados pela administração pública. Lembrei do meu poema favorito do curitibano Paulo Leminski, porque no fundo, “bem lá no fundo, a gente gostaria ver nossos problemas resolvidos por decreto”, ou por um relatório de instrução. Mas como diz o poeta: “problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear, o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas”.

Mas se problemas públicos não se resolvem, contribuir para mudar essa realidade é o desafio do auditor. E nada melhor que reunir tantos auditores para compartilhar suas experiências, dores, problemas, expertises e resultados para entender que sim as Auditorias podem ser transformadoras, e ter impacto social. 

Mais que isso, o Congresso proporcionou a interação não só entre auditores de todo o país, que puderam expor seus artigos e trabalhos realizados, mas trouxe também diversas autoridades e representantes da sociedade civil que compartilharam reflexões importantes sobre inovação, avaliação de políticas públicas e o aprimoramento da atuação dos órgãos de controle. Como disse Gabriela Lotta (FGV), em sua palestra, os auditores estão em um espaço privilegiado, porque não tomam as decisões, mas tem a responsabilidade de fazer a governança funcionar.

Ao final do Congresso foi lançada a Carta de Curitiba, que você pode ler nesse link.

Voltamos contagiados e energizados do Conacon e com o compromisso de fazer a 10ª edição a ser realizada no próximo ano a maior da história.

Por fim, retorno ao curitibano Leminski, que em seu “Incenso fosse música” disse:

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

(Paulo Leminski, publicado originalmente no livro Distraídos Venceremos, 1987)

Que a luz nos guie para sermos o que realmente somos.

Arthur Rosa Ribeiro Cunha

Presidente da AudTCE-PI

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