“A simplicidade é o último grau da sofisticação”. Já vi esta frase atribuída a Leonardo da Vinci, Schopenhauer e alguns outros! Mas isso não importa tanto. Importa muito mais saber que a simplicidade é essencial para sermos felizes, para encontrarmos a essência da vida e para convivermos harmoniosamente com nossos semelhantes. Não é simples a busca pela simplicidade, mas penso que deveríamos almejá-la.
Às vezes olhamos para o lado e vemos tanto saber, tanta modernidade, tanto conhecimento absoluto! Tanta gente sabendo de tanta coisa! Tanta gente de nível tão elevado! Neste momento dá saudade da simplicidade! Deveríamos todos retroceder um pouco em honra das coisas simples da vida! Ouvir o som de um riacho ou o quebrar de uma onda! Ver como a teia tecida por uma aranha fica linda sob as gotas da chuva. Ouvir os pássaros, mas ouvi-los soltos, felizes, em liberdade! Música! Música e sensibilidade deveriam mover o mundo! Por fim, olhar nosso quintal! Curtir nosso quintal! Manoel Barros disse que seu quintal é maior que o mundo! Vamos Ouvir Manoel Barros, que em seu poema O Apanhador de Desperdícios fala que respeita as coisas desimportantes e os seres desimportantes, e que foi aparelhado para gostar de passarinhos.
No filme Sideways – Entre Umas e Outras, de 2004, o vinho é a metáfora perfeita para a simplicidade e a complexidade da vida humana. O diretor Alexander Payne utiliza a jornada de dois amigos para ensinar que o verdadeiro valor das coisas, assim como de uma boa safra, reside na paciência, na vulnerabilidade e na aceitação de si mesmo, e que a busca por vinhos caros ou regiões famosas nem sempre traz o melhor produto, sendo muitas vezes melhor valorizar produtores menores e mais autênticos. Isso metaforiza como a vida cotidiana, quando olhada de perto e com paciência, esconde belezas mais valiosas do que o sucesso fabricado.
O ápice da mensagem sobre simplicidade ocorre quando Miles, o protagonista, em crise e isolado, abre sua garrafa mais preciosa e cara — um raro Château Cheval Blanc de 1961 — em uma lanchonete simples de beira de estrada, bebendo em um copo descartável. Ele estava guardando este vinho há muitos anos para uma ocasião especial e finalmente percebeu que a ocasião especial não é um evento distante ou luxuoso, mas sim a vida acontecendo no presente e o que ele faz com o agora. E com esta mensagem termino esta crônica sem me estender demais, com simplicidade.
Sérgio Idelano