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UMA ODE A “EMBRIAGUEZ”!

Não, não estou pedindo a ninguém para encher a cara e ficar bêbado. Quero falar apenas de muletas e apoios que precisamos usar para seguir nosso caminho, o caminho de todos nós, que nem sempre é todo feito de flores! Para aguentarmos em nossas costas o fardo do tempo e a montanha russa da vida, é preciso que nos embriaguemos. Não falo precisamente de álcool! É preciso que nos embriaguemos de algo que nos mantenha vivo, que nos mantenha com tesão pela vida! É preciso que nos embriaguemos de coisas que nos fazem feliz! É preciso que nos embriaguemos com coisas que tornem o fardo mais leve, que nos auxilie na estrada da vida. Embriaguemo-nos! Com o quê? Aqui peço licença a Baudelaire para usar um poema seu e responder: com vinho, poesia, virtude ou qualquer coisa que te faça feliz, que mexa com seus sentidos. Uma pausa para o poema de Baudelaire. Depois continuo a reflexão sobre a embriaguez:

“É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.”

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso! Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.”

Então é disso que quero falar. O desgaste é inerente à vida e à passagem do tempo. O desgaste é inerente ao cotidiano. Cabe a nós pensar a vida de uma maneira positiva e otimista, e cabe a nós fazer a alegria vencer a tristeza. Melhor escolher rir do que chorar. Melhor que seja assim. Todo dia temos uma escolha ao levantar dos lençóis! Viver a vida ou antecipar a morte! Tentar ser feliz ou reconhecer a impossibilidade de ser feliz! Seguir adiante ou parar estático! Tecer planos ou enovelar saudades pelo que já ficou atrás! Aproveitar o tempo que temos ou lamentar o pouco tempo que temos! Correr na chuva ou ficar na janela perscrutando o tempo, a criar coragem para molhar os pés! Todo dia temos uma escolha ao levantar!

É escolher sorrir e não chorar! Feliz de quem consegue rir de si mesmo. Feliz de quem consegue rir dos obstáculos que vão surgindo, rir das situações que aparecem, rir das coisas que dão um pouco erradas, mas que não são definitivas. Gosto de pessoas que riem. Gosto de gargalhadas genuínas. Não aqueles sorrisos amarelos e inexpressivos. Gargalhadas genuínas! Risos soltos! Estas pessoas me trazem energia positiva. Quem ri sonha mais, e sonhos e risos são as maiores armas contra a depressão.

Por isso embriaguemo-nos! A vida quer de nós a embriaguez. Embriaguemo-nos! Com vinho, virtude, poesia, sexo, religiosidade, adrenalina, planos e propósitos! Embriaguemo-nos! Só temos que escolher nossa droga…

Por: Sérgio Idelano

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