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Idade Física x Idade Mental: O Paradoxo

A cabeça e a mente têm idades diferentes! Envelhecer é difícil pra todo mundo. E o mais difícil de tudo é a eterna diferença entre nossa idade mental e nossa idade cronológica. Eu já falei sobre isto antes. Nosso corpo envelhece, mas, muitas vezes, nossa mente é jovem. E aí a grande sacada é saber o equilíbrio entre a mente e o corpo. O equilíbrio entre a juventude de nossa cabeça e as limitações de nosso corpo físico. Envelhecer é difícil, mas pode ficar muito mais difícil se não aceitarmos isto como uma coisa natural. Ter a mente jovem, mas aceitar a passagem do tempo.

Saber envelhecer com tranquilidade é um dom que muitos poucos possuem, e aqui me incluo. Sou muito ativo, gosto muito de viajar, fazer trilhas e respirar vida! Tenho pânico só de pensar em ficar limitado fisicamente. Porque sei que minha mente nunca vai envelhecer. E isso é o que dói mais. Então, tento trabalhar minha cabeça para a aceitação de um fato inexorável: todos nós envelhecemos! Ou morremos jovens, o que é ainda pior. Se não entendermos isso, a vida ensina da pior forma! Lembro um fato que aconteceu comigo no Iate Clube! Na minha adolescência, costumava ir lá com frequência, e eu era um exímio saltador ornamental. Pulava do trampolim com acrobacias ousadas. Em uma delas, a minha especialidade, eu segurava o trampolim com as mãos, ficando pendurado abaixo dele, e então eu dava um impulso, colocava a planta dos dois pés abaixo da tábua do trampolim, e mergulhava feito um bólido rumo à água da piscina. O salto era perfeito, e eu entrava na água em uma tainha quase sem salpicar água. Pois bem, voltei ao Iate já coroa com meu filho e alguns sobrinhos, e resolvi me amostrar mostrando para eles meu salto característico. Eles ficaram todos em volta da piscina enquanto eu subi as escadas do trampolim, com pose de Deus aquático. Então cheguei ao topo, segurei o trampolim com as mãos, já meio tremendo, ficando pendurado abaixo dele, e então tentei dar o impulso para colocar a planta dos dois pés abaixo da tábua do trampolim. Devido ao esforço excessivo, só consegui botar a planta de um dos pés e mergulhei não mais como um bólido, mas feito um pombo sem asas. Caí todo atravessado e larguei as costelas na água. Ao sair da piscina, tentando puxar ar dos pulmões doloridos, evitei olhar para minha plateia. Apenas me dirigi ao bar e pedi uma cerveja. Nisso eu ainda sou bom.

É isso! Eu acreditei em minha mente e desdenhei do meu físico! É que, e aqui vem a parte boa, uma parte de nós tem a idade que queremos ter. Uma parte de nós é indiferente às marcas que o tempo, inexorável, deixa em nosso exterior. Uma parte de nós, eternamente jovem, vive para sempre dentro de cada gesto ou de cada sorriso que damos para a vida. Uma parte de nós é eternamente sedutora! Para encerrar, separei um trecho do belíssimo livro Imortalidade, de Milan Kundera, onde ele narra uma velha senhora saindo de uma piscina e se despedindo de seu jovem professor de natação. O trecho, assim como todo o livro, é de uma beleza sem igual. Eu dedico este trecho a todos nós, sem-idade, que insistem em continuar jovens: “Ela foi embora, de maiô, andando ao longo da piscina, e, quando já tinha ultrapassado o professor de natação aproximadamente uns quatro ou cinco metros, virou a cabeça para ele, sorriu e fez um gesto com a mão. Meu coração apertou-se. Esse sorriso, esse gesto, eram de uma mulher de vinte anos! Sua mão tinha girado no ar com uma leveza encantadora. Esse sorriso e esse gesto eram cheios de encanto, enquanto o rosto e o corpo não o eram mais. Era um encanto de um gesto sufocado no não encanto do corpo. Mas a mulher, mesmo que soubesse que não era mais bonita, esqueceu isso naquele momento. Por uma certa parte de nós mesmos, vivemos todos além do tempo. Talvez só tomemos consciência de nossa idade em certos momentos excepcionais, sendo, na maior parte do tempo, uns sem-idade”.

Ainda sigo minha mente muitas vezes, mas não deixo mais ela sugerir coisas como pulos de trampolim ou a posição 72 do Kamasutra. Sigo tentando equalizar as diferentes idades da mente e do corpo físico…

Por: Sérgio Idelano

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